Encontrar tempo para estudar
é, talvez, o maior desafio a ser enfrentado por quem decide se candidatar a uma
vaga na administração pública. Numa vida que normalmente já é corrida, é
preciso abrir espaço para aulas e estudo, se possível diariamente. Muita gente
chega a desistir antes mesmo de tentar, por imaginar que um projeto desse
tamanho não caberia na sua rotina.
Como fazer, então? Uma boa
providência, para quem trabalha, é imaginar que está iniciando uma faculdade.
Isso dá uma dimensão aproximada do tempo que deverá ser disponibilizado na
semana, da dedicação necessária e do prazo razoável para o êxito do projeto.
Não estamos querendo dizer que somente depois de 4 ou 5 anos você será
aprovado, mas é preferível ter um horizonte de longo prazo a criar uma
expectativa de solução muito rápida e se frustrar ou colocar uma carga de
cobrança excessiva, que pode levar à desistência.
1) Como
organizar o tempo
A
vantagem é que na “faculdade fictícia” os horários devem começar mais reduzidos
e ser gradativamente aumentados – começar com 1 a 2 horas por noite, aumentando
até 3 ou 4 horas, sempre cuidando de fazer intervalos de 15 minutos no meio do
período de estudo e reservando de 6 a 8 horas para dormir (menos do que isso
prejudica a memorização dos conteúdos).
Caso você
pretenda fazer um curso presencial, pode optar por assistir às aulas aos
sábados e, assim, economizar tempo e custo de deslocamento. Se preferir, pode
assistir às aulas à noite e estudar nas noites vagas e no sábado. O mesmo se
aplica para quem escolheu cursos via internet ao vivo. Quem optar por cursos
gravados, a sugestão é intercalar dias de aula e estudo, incluindo o sábado.
Para quem
trabalha em esquema de escala, com dias alternados, a solução é reservar as
horas de estudo nos dias de folga. Também as aulas via internet gravadas se
ajustam melhor a esse tipo de rotina. O candidato pode alternar aula e estudo a
cada dia de folga ou assistir às aulas num dia e estudar no outro, conforme for
mais conveniente.
2) Como
fazer um planejamento
O mais
importante é fazer um planejamento real e possível, de acordo com a sua
realidade de tempo e de outras tarefas a seu cargo. Não é a quantidade de horas
dedicadas ao estudo que garante a aprovação, mas a continuidade da preparação.
Além disso, com o passar dos meses, o número de aulas necessárias vai sendo
diminuído e o tempo disponível para o estudo, aumentando. E é bom que seja
assim: depois de um tempo de preparação, bastam aulas pontuais de alguma
disciplina nova ou mais difícil para o candidato. É o trabalho individual e
progressivo de revisar e aprofundar a teoria, fazer exercícios e resolver
provas anteriores que vai efetivamente sedimentar o conhecimento.
3) Como
se concentrar
Depois de
longos anos sem contato com os livros e com tantas outras demandas na cabeça,
como fazer o cérebro entender que é hora de estudo? Grande parte dos candidatos
são pessoas adultas, com responsabilidades de trabalho, família e casa.
Um
planejamento real, mensal, colocado no papel (ou computador), que contemple
todas as atividades - com definição de horário de início e fim de cada período
de estudo, e também com as matérias a serem estudadas a cada dia -, coloca cada
coisa no seu lugar, estabelece claramente a prioridade de cada momento
(essencial para a concentração) e elimina a confusão de fazer uma coisa
pensando em outra.
Mas, não
é só isso. Se a forma de estudar for entediante, o cérebro vai tentar fugir da
sensação de desconforto e a distração será inevitável.
4) Como
manter o foco
O estudo
dos tempos de escola, quando apenas líamos a matéria para tentar fixá-la, é a
única forma de estudo conhecida pela maioria de nós. Isso funcionava para
pequenos conteúdos, mas o candidato a um concurso público precisa ter
conhecimento profundo sobre diversas disciplinas, o que significa compreender e
reter até o dia da prova uma quantidade enorme de informações. São meses ou
anos de estudo contínuo, incluindo novas matérias e mantendo as anteriores.
Sem
dúvida, tudo passa pelo estudo da teoria, mas isso deve acontecer de forma
dinâmica.
Uma
estratégia eficiente de iniciar o contato com conteúdos novos é fazer a leitura
de um ponto por vez, a partir de anotações de aula, conjugada à leitura do
mesmo ponto em um livro para concursos, seguida imediatamente da resolução de
exercícios sobre o assunto, com consulta à teoria. A compreensão e fixação
natural são facilitadas, porque os exercícios exigirão retornos sucessivos à
teoria e um olhar mais atento, permitindo que o candidato perceba detalhes e
informações que passariam despercebidas numa simples leitura. Vale lembrar que,
nesse primeiro momento, o candidato não deve ficar preocupado com a memorização,
mas tão somente com o entendimento dos conteúdos.
5) Como
testar seu conhecimento
Depois de
vista toda a teoria de uma disciplina, o candidato precisa colocar o seu
conhecimento à prova, resolvendo questões de concursos anteriores. Isso é
importante para que o candidato possa perceber o nível de profundidade exigido
nas provas e como está o seu conhecimento naquela matéria. A partir dessa
verificação será possível retornar à teoria para aparar as arestas.
Em
disciplinas exatas, tais como matemática e raciocínio lógico, a dificuldade
pode não estar na compreensão da teoria, mas na prática mesmo da resolução de
questões. Nesse caso, o melhor é fazer dezenas, até centenas de exercícios,
para ganhar confiança e agilidade.
6) Como
revisar o conteúdo
Outra
dificuldade nesse tipo de estudo é garantir que a qualidade de conhecimento se
mantenha, mesmo com o passar do tempo. É uma situação bem semelhante à de um
equilibrista de pratos: se algum prato deixar de rodar, vai cair e quebrar.
Também o candidato precisa manter todas as disciplinas ativas, para que não
caiam no esquecimento.
Para
revisar rápida e periodicamente diversas disciplinas com extensos conteúdos é
preciso preparar um material de qualidade. E isso pode ser utilizado como uma
etapa avançada do estudo. Depois que o candidato chegar ao fim da teoria de uma
matéria, deve repetir o processo inicial de leitura/exercícios, incluindo aí a
elaboração de fichas-resumo. Trata-se de esquemas, quadros, tópicos organizados
com poucas palavras, que permitam uma revisão de todos os assuntos.
O tempo
investido nesse trabalho é amplamente recompensado pelo resultado – sedimentar
e organizar as informações que o candidato já possui. Podem-se utilizar fichas
de papelaria, separadas por disciplina, numeradas e organizadas por tópicos, a
fim de facilitar a consulta. São mais eficientes do que os resumos
tradicionais, porque são mais rápidas de serem confeccionadas e mais objetivas
na hora das revisões. Além disso, presas por um elástico, são práticas para
acompanhar o candidato a qualquer lugar.
7) O que
fazer com as matérias difíceis?
Pode
acontecer de, mesmo com toda a estratégia e dedicação, o candidato ter reais
dificuldades para compreender e avançar numa matéria. É uma situação
relativamente comum e não deve ser motivo para desespero, muito menos para
desistência – nem quanto ao projeto nem quanto à disciplina em questão.
Muitos
concursos cobram matérias de diversas áreas de conhecimento e é natural que o
candidato sinta mais facilidade em algumas disciplinas do que em outras. Como
se fosse um jogador fraco que você não pode dispensar nem deixar no banco de
reservas, a solução é investir mais para superar as deficiências.
Fazer um
módulo específico da disciplina (de preferência com professor diferente, para
ter a oportunidade de nova abordagem/didática) costuma oferecer excelentes
resultados porque, mesmo com dificuldades, o assunto já foi visto
anteriormente, e voltar ao início com o apoio de um professor pode ser
suficiente para sanar as dúvidas. Providência similar pode ser adotada
utilizando-se um novo livro (que seja bem recomendado para concursos) sobre o
assunto e estudando a matéria desde o início, como se fosse a primeira vez.
8) O
edital ainda não saiu. Devo estudar?
Outro
grande desafio para quem se prepara para concursos públicos é o longo tempo de
preparação – praticamente uma maratona. E esse fato é agravado quando não há
nenhum edital publicado para a área de interesse do candidato. Mas esse tempo,
se bem aproveitado, pode garantir a aprovação quando a oportunidade surgir,
porque os editais vão acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Quem
mantiver o ritmo de estudo estará em boa vantagem em relação aos outros
candidatos quando o edital for publicado. E isso é motivo suficiente para
garantir a motivação. O planejamento mensal também ajuda a preservar a
regularidade da preparação, que deve ser permanente até a aprovação. Apenas o
foco é que precisa ser ajustado na iminência de algum edital.
9) Não
passou? Veja o fazer para não desanimar
Mesmo se
o candidato vier a ser reprovado em algum momento, é importante seguir
estudando. Outros editais virão e o conhecimento acumulado de concursos
anteriores da mesma área servirá de patamar para o seguinte.
Interromper
o estudo até a publicação de novo edital ou desistir do projeto seria jogar
fora todo o investimento já feito, e o pior – o movimento para transformar a
própria vida. Isso sim seria muito ruim. Além disso, algum tropeço num projeto
dessa grandeza não é nada demais e faz parte da trajetória de quase todo
candidato. Muitos aprovados nos primeiros lugares em seus concursos precisaram
enfrentar uma ou mais reprovações durante o percurso.
10)
Passou? Continue estudando mesmo assim
Deixamos
aqui um alerta: mesmo depois de aprovado, o ideal é que o candidato continue a
estudar e prestar novos concursos. Isso porque a nomeação/contratação pode
acontecer até o fim do prazo de validade do concurso, que pode ser de até 2
anos, prorrogáveis por mais 2.
Assim, o
mais prudente é buscar novas aprovações. E isso não deve ser difícil, pois o
candidato aprovado mostra que conquistou excelência no conhecimento e
amadurecimento para fazer provas. Mantendo-se na mesma área de concursos, que
cobram muitas matérias em comum, a tendência é que passe a colecionar
aprovações e, com isso, aumente as suas chances de tomar posse mais
rapidamente.
Depois, o
problema será decidir em qual órgão ficar, quando for chamado para assumir
novos cargos por conta de outras aprovações. Mas esse é um ônus que todo
candidato deseja enfrentar.



segunda-feira, abril 23, 2012
Curso Vencer - preparando vencedores
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